
Afinal, um artigo sensato e muito bem escrito sobre o Legislativo Brasileiro, publicado pelo Jornal do Brasil, no último dia 8 de junho de 2009.
Coisas da Política
Um combate à ‘indigência analítica’
Por Rodrigo de Almeida
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Transparência, diálogo e austeridade no trato com a coisa pública. Em prazo recorde, o deputado federal Rafael Guerra (PSDB-MG) já conseguiu implantar mudanças fundamentais na estrutura dos mandatos parlamentares, conforme as diretrizes por ele anunciadas quando assumiu a 1ª Secretaria da Câmara, em fevereiro, e junto com os outros membros da Mesa Diretora.

@rafaelguerra www.twitter.com/rafaelguerra JÁ ESTÁ NO AR O TWITTER DO DEPUTADO RAFAEL GUERRA. VISITE, COMENTE, PARTICIPE.

O primeiro-secretário da Câmara, deputado federal Rafael Guerra, afirma que não está fácil arrumar a casa em função de escândalos em série e ressalta a urgência de o Poder Legislativo passar por um processo de reformulação e transparência para que sejam definitivamente enterrados os esqueletos do passado. “A instituição está completamente desacreditada na sociedade”.
Não foi fácil a conversa com Rafael Guerra, o mineiro com terceiro mandato de deputado federal, que ganhou no voto o direito de comandar, como primeiro-secretário da Câmara. Ao longo da conversa, os dois celulares dele não pararam de tocar. A todo momento parlamentares de praticamente todos os partidos ligaram procurando notícias ou dando sugestões para a solução da crise na instituição, que vive sob intenso tiroteio, com escândalos atrás de escândalos.
Guerra acha que a maioria das críticas tem fundamento e concorda com elas. Lembra porém que a atual mesa diretora encontrou vários “esqueletos no armário”, situações ilegais ou no mínimo pouco éticas, que viraram rotina, sem contestações. Erros que se acumularam durante 50 anos. Para o mineiro do PSDB, é possível fazer as correções e implantar a transparência, mas a transição para o legal e moral é penosa.
Rafael Guerra considera importante também que a Câmara tenha maior autonomia em relação ao Executivo, que deixe de viver agachada diante do presidente, e que se ocupe de suas funções de legislar e fiscalizar.
Apesar de estar no meio de uma verdadeira guerra, o deputado ainda comentou a questão sucessória, defendendo as prévias em seu partido para este ano ainda, e a candidatura de Aécio Neves à Presidência. Em relação à sucessão estadual, considera que o nome de seu partido será mesmo o do vice-governador Antonio Anastasia.
É chegada a hora da transparência dos Poderes?
Mas a cobrança é por soluções rápidas.
É, no nosso caso agora a pressão tem sido muito grande. Primeiro veio o caso dos parlamentares que foram votar, ficaram um dia e receberam ajuda de custas de um mês. Depois o caso de alguns parlamentares que recebiam na boca do caixa seus salários por, talvez, terem ações na Justiça, evitando assim penhoras. Se for por isso, a Câmara Federal estava errada por burlar a Justiça. Depois a história do castelo, a questão da verba indenizatória, com casos de comprovação de despesas com notas fiscais seriadas e outros problemas. Daí é que tomamos a decisão de colocar todas as notas que comprovam despesas na internet.
Não é hora de a sociedade discutir o real salário do deputado, o seu trabalho e fixar um valor, sem penduricalhos, colocando esta questão de forma transparente?
Aí eu volto à questão do salário...
Eu já tentei discutir, tentei várias vezes até, aliás, acho que fui o único, que o salário de 12,5 mil não é um salário que corresponde à realidade. Acho que devemos colocar o salário no teto e vamos disciplinar estas regalias, entre aspas, ficando o que for justo. Aí teve o problema de que o PT paga 30% do salário para o partido. Da verba indenizatória ele não paga. Então eles não querem, embora já tenham começado a pensar que esta situação não dá mais. Precisamos levantar a cabeça. A verdade é que a Câmara está acuada e pressionada por vários setores. Os delegados, por exemplo, estão fazendo enorme pressão sobre os deputados para que tenham suas carreiras equiparadas ao Judiciário. Hoje um delegado da Polícia Federal ganha em torno de 20 mil reais, um carcereiro cerca de 12 mil e ainda há pressões. Por quê? Porque o pessoal fica acuado, sem querer enfrentar a polícia e o Ministério Público. Mas por quê? Nós precisamos ser independentes.
Aí entra a questão política.
Nós tivemos, nos seis anos do governo Lula, todos os presidentes absolutamente atrelados ao Palácio do Planalto. Exceção ao Severino que é um caso à parte. Agora, João Paulo, um pouco menos. Ele tinha saído de uma eleição, chegou à presidência da Câmara, sem vínculo direto com o Lula. Depois veio o Aldo Rabelo. Ele era ministro do Lula. Foi para lá para cumprir ordens do presidente. Não fez nada que pudesse desagradar o Lula. O Arlindo (Chinaglia), não era ministro, mas queria ser. Era doido para sair da Câmara e ser ministro da Saúde. Por isso não fazia nada para desagradar o presidente. Então nós ficamos agachados. O presidente reúne o Colégio de Líderes, decide o que vamos votar. Ele não precisa nem falar. Bastava olhar para o líder do governo para que um projeto não entrasse na pauta. Nós não votamos praticamente nada que não fosse aprovado, que não fosse do interesse ou de autoria do governo. Só votamos o que eles querem. Isto é uma coisa seriíssima. A emenda da saúde, por exemplo, o governo teve uma das votações mais apertadas. Precisava de 257 votos, conseguiu 259, apenas dois a mais. Agora está com medo de continuar a votação. Falta votar a parte que acaba com o imposto do cheque, a antiga CPMF. O governo está com medo e não coloca
O senhor acha que a situação do Senado é melhor ou pior do que a da Câmara?
O Senado está pior do que a Câmara. O Senado tem uma diferença: ele ficou com um diretor-geral 14 anos. Nós tínhamos um na Câmara que permaneceu não sei quantos anos. Quem trocou o diretor foi o Aécio, quando era presidente. Quando ele trocou o diretor-geral foi uma confusão. Quando você faz troca assim, desmancha uma série de grupos. Agora vem aí, na Câmara, uma nova confusão com os servidores e com os parlamentares. A implantação do ponto eletrônico, já anunciada, vai ser um transtorno. Mas eu acho que a Câmara Federal tem que vencer esta crise, fazer uma agenda positiva. A reforma política tem que ser discutida, embora não considere possível votar a reforma inteira este ano.
Dentro desta reforma política há uma questão importante, as eleições do ano que vem. Dá para votar uma lei regulamentando as próximas eleições ou, novamente, teremos a judicialização do processo, com os tribunais decidindo as regras no lugar do Legislativo?
Na sua opinião, quem é o melhor
candidato para o país?
Para ganhar as eleições sem dúvidas que é o Aécio. Para dirigir o país, reconheço a competência do Serra, mas falta a ele jogo de cintura. O Aécio tem mais capacidade de articular e, por isso, tem mais condições de realizar as mudanças que o país necessita.
E a sucessão estadual?
Esta vai depender um pouco do resultado das prévias. Na minha visão, se disputar a Presidência, o governador elege com facilidade o seu sucessor
Mas e o candidato do PSDB, quem será?
Para governador? Ah! É o vice-governador Anastasia. Como a ministra Dilma, ele já está mais ou menos lançado. O problema é que ele não disputou eleição ainda e, apesar de competente e preparado para o cargo, do ponto de vista da popularidade, ele vai precisar de um puxador. É também o caso da Dilma, mas com a diferença de que ela está com a máquina na mão, com rios de dinheiro. Não adianta, o povo faz vistas grossas, mas o que este governo tem de caixa para gastar com publicidade, faz deste negócio de passagem aérea, peteca, como se diz. São mais de 2 bilhões de reais, o dobro do que está sendo oferecido aos prefeitos como ajuda pela perda de receita.
Reprodução da Revista Viver Brasil - maio/2009 - Ano II - nº 12
Texto: Flávio Penna

O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), assinou nesta quarta-feira (29) portaria que regula comissão integrada por seis membros da Mesa Diretora sob a coordenação do 1º secretário, deputado Rafael Guerra (PSDB-MG), para estudar a modernização administrativa da Casa. Somente Temer não integra o grupo, formado ainda por quatro servidores técnicos.
Objetivo
A comissão tem prazo de 30 dias após a publicação do ato, prevista para a quinta-feira (30), para concluir o seu trabalho. Não há intenção de aumentar os salários dos parlamentares. O seu principal objetivo é atingir mais transparência e reduzir custos operacionais para economia do dinheiro público.

Antes do almoço com o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), o governador Aécio Neves (PSDB) teve uma conversa com o deputado Roberto Rocha (PSDB-MA), seu amigo pessoal. E ele anunciou que abria a mão da candidatura dentro do partido ao cargo de 1º secretário da Câmara, em favor de José Rafael Guerra (PSDB-MG). Foi além. Em temporada de Geraldo Alckmin secretário de José Serra, fez questão de dizer que era “um gesto para Minas”.
Jornal Estado de Minas (22-01-2009)
Coluna em Dia com a Política
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